
Eu vivo sempre do lado esquerdo.
Olho sempre pro lado esquerdo.
Andei de trem. E foi legal. Eu nunca tinha entrado num antes, mas o cheiro era familiar, o cheiro que sentia do lado de fora da janela também, parecia óleo queimado e flores unidos numa molécula só.
Eu pensei na minha infancia, nos vagões abandonados da cidade que eu vivia, nas brincadeiras, nos fantasmas e camisinha que a gnt achava, junto as galinhas pretas dos despachos que faziam por lá.
Mas andar dentro de um deles nao tem nada a ver com o que vivi com um trem antes.
Foi apenas uma hora, uma hora de lados esquerdos, sirenes, mata seca, flores, árvores e laranjeiras...Me lembrei também do bairro das laranjeiras, e do all star....
Voltei pro trem. Eu nao enjoei. Eu nem vi o tempo passar pra ser sincera, apenas acompanhava as estações. Cacela, Tavira, Fuseta, Castro Marin, Monte Gordo.
E pensava no momento em que eu disse tchau.
E quantas vezes mais diria tchau? Quantas vezes mais eu passaria e não ficaria?
Quantas vezes eu me expulsaria?
O som.
O som do trem, o passar de cada vagão pelos trilhos. É legal. Nao parece com além do som de vagões em trilhos.
E balança, um balanço regular.
Um balanço esquerdo.
Agora eu posso explicar porque só eu sinto essas coisas, vejo essas belezas, e porque é como se eu vivesse e vesse sozinha, é pq eu vejo do lado esquedo. Do peito.
1 comentário:
É aquela coisa:
'o fim é belo e incerto: depende de como vc vê'.
Sintonia com vc: eu tenho medo.
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